Há um tempo atrás eu que sempre curti assistir tvs públicas assistia na TVE (atual TVBrasil) o seguinte comercial: "Onde você guarda o seu racismo?"
Pergunta muito instigante. Principalmente para um povo que insiste em afirmar que não tem preconceitos. Afinal, como até mesmo FHC afirmou "todo mundo tem um pé na senzala".
Quando houve a reformulação e regulamentação da profissão de doméstica comemorei dizendo que por fim acabamos com o serviço de "mucamas" e agora teríamos trabalhadores livres que receberiam justamente pelo trabalho e não seriam mais "escravos" de seus patrões, já que muita jovem pobre (algumas até nordestinas) serviram de piada de muito mau-gosto sobre a servidão doméstica.
Que susto não levei quando li que certa pessoa comparou a aparência dos médicos cubanos com as empregadas domésticas. Sinceramente, a afirmação mais desproporcional que já li na minha vida (e olha que ela no post pediu desculpas).
Sim. Aqui no Brasil temos o costume de pedir desculpas por cometer atrocidades: desculpe se é sexismo, mas homossexualismo é aberração; desculpe se é preconceito mas mulher que vai à baile e é estrupada é culpada; desculpe se é exagero, mas favelado e bandido são a mesma coisa... e por aí vai os pedidos estaparfúdios de desculpas que só tem uma coisa em comum: expõem ao sol nosso racismo incubado e muito bem alimentado.
Sim. Nosso racismo é muito bem disfarçado em falsa meritocracia. Afinal, quem quer ser alguém tem que ralar muito! Cotas são uma injustiça com quem tem que estudar muito e gastar dinheiro com cursinhos...etc.
Pois bem: lembram da polêmica das cotas? Me lembro de um texto de Rubem Alves relatando que quando o curso de Medicina da USP resolveu aceitar cotistas negros tiveram um assombro: estes eram mais prestimossos e dedicados à pesquisa acadêmica e ao exercício médico. Tal constatação resultou numa carta aberta defendendo a permanência da política de cotas justificando sua pertinência.
Pois bem. O Revalida, não vale só para médicos cubanos, serve também para portugueses, alemães, indonésios, chineses, etc... Agora a leva é cubana. Uma turma de médicos proeficientes em medicina tropical. Por um acaso somos um país tropical e nossas doenças são características de um país tropical. Então, por que também estardalhaço?
Antes eu considerava as reivindicações da classe muito pertinentes: de fato faltam condições de trabalho em muitos hospitais públicos espalhados pelo país, principalmente nas capitais, mas ao que parece a capacidade de articulação da categoria é muito precária, pois passaram anos sem reclamar nada.
Tudo ia muito bem até que me deparo com declarações de médicos dizendo que não iriam a regiões do país no Norte ou Centro-Oeste ou mesmo no Nordeste, preferindo ficar nas capitais por pura comodidade. O que Josué de Castro diria sobre isso?
O que acontece é que o juramento de Hipócrates foi jogado no lixo, ou não tem nem sequer valor formal em nosso país, de forma que nossos médicos (brancos caucasianos "com um pé na senzala") se dão ao direito de vaiar colegas de trabalho cubanos tratando-os como "escravos" e fazendo insinuações altamente racistas, que tiram o Movimento Negro do país do seu estado de plenitude!
Todo mundo sabe a luta que tem sido travada para acabar com os últimos bastiões do colonialismo-escravocrata brasileiro: o combate ao coronelismo, a universalização ao acesso à educação, a universalização ao acesso e financiamento à cultura e ao folclore brasileiro, a regulamentação de profissões que utilizam mão de obra barata (empregadas domésticas, cortadores de cana, extrativistas, etc), agora vemos que nas profissões também temos o racismo: "afinal médico tem ter cara de médico"....
Qual é a cara do médico? Aquela cara de nojo, que faz perguntas secas e nem espera que você termine a resposta? Aquela cara de indiferença quando você fala da suas enfermidade (depois de ter suportado as mais diferentes humilhações para ser atendido(a)? Aquela cara de "próximo" quando você mal termina de falar e ele lhe dá uma receita e a prescrição pouco se lixando para o processo de recuperação? Afinal: qual é a cara do médico?
Vou admitir: detesto médicos. Se preciso de um prefiro um terapeuta alternativo, um fisioterapeuta, qualquer coisa, até curandeiro, menos médicos! Para mim são criaturas insuportáveis! Salvo algumas exceções que merecem todo o meu respeito e apoio civil, muitos são insuportáveis, preconceituosos e intolerantes. Para quê ser médico então? Poderiam ganhar suas vidas com outra atividade mais rentável, se o negócio e dinheiroi e status social.
Não estou dizendo que ser médico nas capitais brasileiras (e mesmo no interior) seja a oitava maravilha do mundo, mas acho no mínimo estranho uma categoria com tamanho status permitir que seus profissionais operem na mais perfeita precariedade no serviço público. E ao que parece no serviço particular a coisa não é melhor....
Há algum tempo ouço amigos médicos ou professores de Medicina comentarem que faltam Clínicos Gerais, já que a onda é a Especialização (que paga melhor). Então me pergunto: que acinte foi este em agredir de forma racista médicos cubanos, quando a atitude mais racional seria elevar cartazes dizendo: "Vocês não terão condições de trabalho", ou "Estão prontos para receberem doentes à beira da morte e não poderem fazer nada?", ou "O que vocês farão se uma facção criminosa invadir um hospital para resgatar um criminoso internado?", ou "O que vocês farão se a polícia jogar gás lacrimogêneo dentro do hospital para capturar manifestantes?", ou "Como se opera sem instrumentos ou macas?", etc.... Isso sim traz impacto!
O episódio dos médicos cubanos só traz à tona um problema que explica em parte tanta corrupção e o descaso com a Saúde Pública: ninguém gosta de quem tem cara de faxineira ou faxineiro! Subalternos não merecem atenção básica na saúde. Não precisam. Talvez a crença geral de alguns "médicos" formados no Brasil seja de quê: negros, faxineiras, faxineiros, nordestinos e favelados morram para que não incomodem mais o serviço público de saúde com suas doenças de Terceiro Mundo...
O problema central é que nossa elite ainda não se tocou que já estamos trabalhando para deixarmos de ser Terceiro Mundo... mas se tiverem saudades dos velhos tempos já sabem o que fazer nas próximas eleições...
Dormecomumbarulhodesses
Aqui eu vou abrir o verbo, quem tiver ouvidos ouça! Ou no mínimo leia.
Barulhos da semana
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Transporte público não é brinquedo! - parte 2 - Mobilidade e serviços rodoviários
ônibus no Rio de Janeiro
O link acima leva para um vídeozinho do Youtube sobre a questão dos ônibus no Rio de Janeiro.
Mobilidade é uma nova palavrinha adotada pela Fetranspor e está impressa nos panfletos sobre a "nova" organização de corredores exclusivos de ônibus na Orla da Zona Sul (sic!) conhecidas como BR1, BR2 e BR3.
A despeito de qualquer política pública há uma discrepância inconcebível entre o serviço de transporte público na Zona Sul da Cidade e nas demais áreas, onde a população realmente PRECISA andar de ônibus, Metrô ou trem. Corredores de ônibus deveriam obedecer a um plano diretor que atendesse a toda a Cidade do Rio de Janeiro dentro de uma lógica de Mobilidade dentro do Estado do Rio de Janeiro! Isto inclui o acesso à região Metropolitana, Grande Rio, Região Serrana, Niterói e São Gonçalo.
Começando pelos preços das tarifas praticadas nos percusos entre o Centro e a Zona Sul e os praticados entre a Zona Norte e o Centro: a antiga padronização que existia no Governo César Maia desapareceu.
Outro problema é condição das viaturas que fazem o transporte, principalmente nas zonas Norte e Oeste: muitas são desconfortáveis , emitem muita poluição (sonora e de gases), os condutores são na maioria irritadiços (sobre as condições de trabalho dos condutores de ônibus vou dedicar um artigo completo, pois a situação deles merece atenção redobrada), pouco conforto (para se tomar um ônibus com serviço de ar-condicionado, amortecimento e poltronas mais confortáveis se paga até 50% a mais sobre a tarifa básica).
A quantidade de veículos particulares nas ruas é agravada com o problema do acesso das ruas: as vias cariocas tendem ao "afunilamento", começam com até 4 pistas que podem ser reduzidas a uma única rua no final da via. Isso estrangula o trânsito e traz o caos que conhecemos por "engarrafamento" nos horários de pico ou quando há algum acidente de trânsito, que não precisa ser grave para dar um "nó" nas ruas e na paciência tanto dos motoristas particulares quanto dos motoristas de ônibus, que pela atividade são obrigados a fazerem o mesmo percurso muitas vezes ao dia tentando cumprir um cronograma de viagem que fica inviabilizado com a rotina de retenções, o que abre precedentes para excesso de velocidade e imprudência no trânsito.
As vans que muito antes de serem uma "alternativa" ao transporte público, foram uma "alternativa" à exploração das linhas monopolizadas por uma rede conhecida por RioOnibus. Atentos às necessidades do público e experimentados pelos anos como condutores de linhas de ônibus ex-motoristas de ônibus (na sua maioria) iniciaram serviços de transporte público mais eficientes e, até certo ponto, mais confortáveis que os ônibus caindo na preferência dos usuários que querem mais rapidez e um mínimo de conforto nos trajetos entre a casa e o trabalho/estudo.
É impressionante a falta de articulação ou planejamento da Secretaria de Transportes que há anos, e tenho que ser justa nisso, mesmo antes do atual governo teve atuações pífias! A Secretaria de Transportes desde de que a antiga CTC foi privatizada virou um palco para negociatas sobre monopólios e políticas (se assim pode se chamar) insanas de tarifação e organização dos serviços de transporte público.
Para se corrigir o problema até a Copa (ou pelo menos começar) é necessário um plano diretor global (e não pontual como vem sendo feito) e uma força tarefa que se preocupe com os seguintes pontos:
1. Revitalização e integração dos principais terminais rodoviários da cidade e criação de novos "nós" viários que possam convergir diversos tipos de meios de transporte (ônibus, Metrô e trem). Para saber mais, podem ver algumas sugestões que fiz no texto anterior desta série sobre Transporte Público;
2. Replanejamento das vias de acesso e estudo de alargamento de pistas. Instalação de corredores viários para os ônibus e toda a cidade;
3. Remodelação dos trajetos viários tendo em vista a necessidade dos usuários e a frequência de usos de acordo com os horários de pico fazendo redes de integração viária entre ônibus quando necessário.
4. Redistribuição dos serviços de transporte e dos tipos de viatura de acordo com a necessidade de cada bairro (largura da rua, quantidade de moradores, necessidade de acesso a serviços ou trabalho);
5. abertura de tuneis, vias e instalação de acessos integrados (como a ampliação do serviço de Metrô);
6. Reativação das redes estaduais de trem que faziam o transporte para a Região dos Lagos, Região Serrana, Costa Verde e CentroOeste fluminense.
Pensem nisso...
Continuo minha coluna na semana que vem.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Transporte público não é brinquedo! - parte 1 - Terminais rodoviários
Acontece que esta imagem me serve de metáfora para discutir o absurdo que estamos enfrentando no Rio de Janeiro em matéria de Transporte público. Neste artigo vou ficar por enquanto com terminais rodoviários.
Quem quiser pode averiguar: a maior parte das rodoviárias espalhadas pela cidade e região metropolitana são do tempo do Brizola ou anteriores a ele (no tempo em que o Rio era o Estado da Guanabara e tudo mais era Estado do Rio de Janeiro). É lamentável a situação do transporte público no Estado! Um vergonha que não se justifica de forma alguma! Transporte público é mobilidade, não é luxo!
Vou começar fazendo uma análise da situação das linhas rodoviárias que atendem ao Rio e Grande Rio.
1. Terminal Rodoviário Cel. Américo Fontenelle
Se você já foi ou teve coragem de ir à Rodoviária Cel. Américo Fontenelle logo atrás da Central do Brasil, deve ter se perguntado o que anda fazendo o Secretário de Transportes que ainda não recuperou aquela rodoviária, não mantém a limpeza do local, não fez um sistema de som para informar aos passageiros que utilizam os ônibus (extremamente caros!) que vão para o Grande Rio e Baixada Fluminense horários e partidas? Não obstante você se pergunta, o que andará fazendo o tal secretário que não se deu conta que a Central do Brasil e do Metrô ficam ao LADO do referido terminal e que poderiam inclusive estar acoplados, tendo um mercado popular regulamentado, de forma a você poder fazer uma "convergência" de transportes para atender com qualidade trabalhadores que moram na Baixada e vem trabalhar no Rio de Janeiro!?
O terreno é gigantesco e serviria para abrigar linhas para outras regiões como a Serrana e dos Lagos, já que se ligada à Central do Brasil facilitaria a mobilidade para regiões como a Zona Sul, Zona Oeste e Zona Norte atrás dos Trens e Metrô! A situação é lastimável! Os pobres motoristas (que também são trabalhadores) convivem com o mal cheiro, falta de banheiros públicos, local para descansarem dos trajetos (que podem durar até 2h regulamentares) e comer decentemente! O que dizer então dos usuários que são no mínimo humilhados todos os dias a ter de esperar em meio a falta de iluminação, lixo, desordem, ratos, baratas e pombos seus ônibus. Se um desavisado vai ao local tomar um ônibus para ir conhecer Caxias, Nova Iguaçu ou Queimados, ficará horrorizado e com medo! O que há? Os moradores da Baixada merecem menos respeito que os demais moradores da cidade do Rio?
2. Terminal Rodoviário Novo Rio
Esse é o mais inacreditável caso de Rodoviária no Rio de Janeiro! De lá partem ônibus interestaduais para diversos destinos do Brasil! Além de intermunicipais que ligam as longíquas cidades do Estado do Rio à Cidade do Rio de Janeiro. O Governo do Estado apesar de ter feito um consórcio com a empresa Nova Novo Rio, sinceramente, não tem fiscalizado o trabalho da referida empresa! As obras (que diga-se de passagem levaram anos e muitos transtornos aos usuários!) foram só na fachada, nada de estrutural para melhorar de fato o atendimento aos clientes! O sistema de som é patético! Em períodos de feriadão na cidade a Rodoviária fica superlotada, não há lugar para comer ou descansar esperando o ônibus, nem serviço de informações tal como se tem nos aeroportos, banheiros são pagos (o contrário do que acontece nos aeroportos), não há bebedouros, etc, etc! Pior: devido a má logística de nossas vias (se é que há alguma logística) os ônibus podem demorar até uma hora do lado de fora da Rodoviária presos no engarrafamento, considerando ainda que precisam serem higienizados e preparados para a nova viagem! E para piorar o local tem um péssimo acesso para qualquer lugar da cidade, exceto, àqueles bairros cujos acessos são pela Avenida Brasil! Apesar de haver uma estação ferroviária (desativada!) próxima à referida Rodoviária ela de nada serve, de forma que se você quer tomar o Metrô tem que esperar um microônibus que o levará para a estação Estácio, se quer tomar o trem, tem que sair da Rodoviária e tomar um ônibus até a estação de trem mais próxima (dependendo de qual ramal você precise tomar)! A lista de abusrdos se segue de maneira espantosa: o local não tem condições para ampliar o número de veículos estacionados para tomar os passageiros, de forma que em tempos de crise é uma correria e um desespero para se tomar um ônibus para qualquer destino. Terrenos baldios não faltam no entorno da Rodoviária e as estações Cidade Nova (Metrô) e Praça da Bandeira (Supervia) ficam a alguns quilômetros do local, o que se resolveria movendo a referida Rodoviaria ou para a próximo da estação Leopoldina ou transformando a velha estação centenária numa nova Rodoviária!
3. Terminal Rodoviário Mário Costa Souza (Terminal Rodoviário da Pavuna)
Este terminal também é do Estado do Rio de Janeiro e, portanto, de responsabilidade do Secretário de Transportes do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Esse terminal no passado era um exemplo de como deveriam funcionar os terminais: sonorização eficiente, centro comercial, plataformas ligadas por passarelas, banheiros públicos, baias de estacionamento bem posicionadas e ampla área de manobra. Hoje o referido terminal que fica na Pavuna (Rio de Janeiro) perto da fronteira com o município de São João de Meriti está abanadonado. Lá todos os dias moradores da Baixada Fluminense (sempre eles) são obrigados a conviver com lixo, desordem, plataformas destruídas, goteiras (quando chove só falta chover dentro) e puro e absurdo descaso. De lá partem a linhas intermunicipais para a Baixada e Grande Rio. O estado de abandono é tão chocante que a prefeitura do Rio no Governo César Maia teve a coragem de colocar um muro (isso mesmo um MURO) para separar o que era cidade do Rio de Janeiro e do que era São João de Meriti, dividindo a via em duas, de forma que a rodoviária ficou do lado do Município de São João. O problema é que a referida rodoviária é do Estado do Rio, então, o muro não significa absolutamente nada! Só mostra a falta de respeito aos usuários e um preconceito com moradores da Baixada que, ao que parecem, só servem para trabalhar no Rio, mas sem ter direito a acessos fundamentais!
4. Terminal Rodoviário Menezes Cortes
Este é o menos pior de todos os terminais, isso até você entrar nele para tomar o ônibus. Por fora, muito civilizado, polido, com um comércio interessante e serviços públicos, por dentro, a fuligem nas paredes, o mal cheiro e o barulho ensurdecedor e a falta de serviço interno de comunicação andam de mãos dadas aos outros terminais. Tudo o que se pode dizer é que ele é menos lamentável do que os outros, talvez por atender a trabalhadores do Centro do Rio de Janeiro que trabalham para o serviço público judiciário e parlamentar....
5. Terminal Rodoviário João Goulart (Niterói)
Tal como o Menezes Cortes é um pouco melhor do que os outros citados mas sofre do mesmo descaso, falta de limpeza e de cidadania. Localizado ao lado das barcas, poderia ser mais eficiente se fosse melhor aproveitado.
6. Terminal Rodoviário Roberto da Silveira
Sendo menor do que o primo carioca, pelo menos apresenta um pouco mais de limpeza, mas os serviços não são melhores e a logística (se há...) menos ainda...
7. Terminal Rodoviário de Nova Iguaçu (CODERTE)
Esse é tão importante quando a Rodoviária Novo Rio, mas é tratado tal como o terminal de João Goulart: lixo, sujeito, falta de infra-estrutura, organização e o mínimo de conforto! É responsável pelas viagens intermunicipais e interestaduais a partir do Município de Nova Iguaçu, mas aparenta ser uma rodoviária qualquer e abandonada. Também do governo do Estado, recebe alguns reparos emergenciais quando extremente necessário, algumas vezes, do Município já que não há a quem socorrer...
Poderia continuar a citar mais rodoviárias no Estado que são de responsabilidade do Governo do Estado do Rio de Janeiro e que estão abandonados a sorte, sem nenhum projeto de revitalização, otimização ou melhoria do serviços. A Copa se aproxima e vemos todos os esforços concentrados em serviços que não serão eficientes se não for pensada uma logística de transporte integrado e eficiente que ligue toda o estado e beneficie todos os cidadãos, ou acaso se imagina que o turista virá para o Rio e se contentará e ficar passeando no Corcovado, Urca, Copacabana, Ipanema e Barra? Claro que não! Atualmente tem aumentado o número de turistas que procuram novos destinos no Estado do Rio e cada vez mais fazem uso de transporte públicos nas referidas rodoviárias, que nem sequer atendem adequadamente ao trabalhador/contribuinte que precisa se mover pela cidade para ir ao trabalho, produzir e consumir! Isso é só a ponta do iceberg, nas poróximas semanas vou continuar esta história.
Agora dorme com um barulho desses!
"Se o bonde parar ele sai dos trilhos da história"
A frase título desse artigo está escrita num quadrinho velho lá na estação dos Bondes de Santa Teresa, uma estaçãozinha discreta escondida entre os imponentes prédios da Petrobrás (na Av. Chile) e Banco do Brasil (na Senador Dantas).
Até onde sei e isso me foi confirmado na vida real, os (agora famosos) bondinhos de Santa Teresa só persistiram no tempo devido a dedicação dos condutores e pressão da comunidade de Santa Teresa. O bonde não era um luxo! Era uma necessidade! Era o único meio de transporte público que atendia aos moradores da região, precário ou não, era o que tinham e não abriam mão.
Contaram-me que com o adventos dos ônibus (no caso microônibus) houve uma preocupação sincera de se manter o bonde ativo, sempre circulando, mesmo que fosse de maneira muito irregular (tanto nos horários quanto nas condições dos veículos). Queria se preservar a memória e os motoneiros, todos filiados a Central (antiga empresa do Estado do Rio de Janeiro, responsável pelo transporte sobre trilhos) queriam continuar trabalhando: fosse porque não tinham mais o que fazer, fosse porque naquele bonde estava a história da vida deles, o ganha pão com que criaram filhos e netos.
Assim o bonde continuou rodando sob os trilhos de Santa Teresa, agora tendo que dividir um espaço que outrora fora todo seu com ônibus e motoristas mal-educados e carros que ignoram os trilhos fincados no chão.
Há alguns anos atrás a linha foi modernizada, surgiram novos bondes graças a uma iniciativa da Associação de Moradores do bairro que resolveu sublinhar o caráter turístico do bonde. Mesmo com seu custo módico de R$ 0,60 por passageiro, os novos bondes tinham que respeitar a velha tradição dos velhos: feitos semelhantes aos antigos (salvo pelo sistema computadorizado) mantinham o estribo, os banquinhos que mudam de lugar e sua indefectível cor amarela com pequenos corações vermelhos.
Com a Copa e com a ajuda do filme "Rio" o bonde virou o novo frisson dos turistas (nacionais e internacionais) que vem visitar o Rio de Janeiro. Quem mora em Santa Teresa e sempre tomou o bonde na Estação Carioca aos poucos vai sentindo a pressão de morar num ponto turístico e ousar ainda usar o bonde como "meio de transporte local"... os próprios turistas os agridem reclamando dos "costumes" criados em décadas de existência do bonde e convivência entre moradores de Santa Teresa. Até mesmo os motoneiros sentiram as diferenças: reclamações de todo o tipo, gente querendo ensiná-los a conduzir, reclamações sobre a demora dos veículos (que a princípio não tinham um horário regular mesmo), etc.
Dois duros golpes foram desferidos sobre o bonde recentemente. O primeiro foi o fatídico acidente de um turista europeu que, tentando fazer a moda dos brasileiros que há décadas viajam nos estribos do bonde, perdeu o equilíbrio em cima dos Arcos da Lapa e de lá despencou causando um grande trauma à população e aos motoneiros que foram responsabilizados pelo incidente. O segundo golpe foi mais recente: o bonde desgoverna-se e tomba na curva de descida da Joaquim Murtinho, próximo ao acesso da Portinha. Entre muitos feridos, pessoas que saíram ilesas, mas 5 vidas se perderam, dentre elas do querido condutor Nelson, homem sorridente, condutor atencioso e simpático, querido por moradores e turistas.
O fato é que o Rio de Janeiro está mudando rapidamente e tanto a sociedade quanto, e principalmente, os governantes não estão se dando conta disso. O incidente do bondinho, que já acontecera outrora, no passado, dentre muitos outros que ocorreram, foram negligenciados até que este meio de transporte transformou-se em possível "mina de ouro" para algum "empreendedor" que irá fazer um consórcio (a exemplo do que aconteceu com o Metrô e a Flumitrens) e que irá cobrar preços absurdos, impor suas regras ético-comerciais e então o velho e desprezado bondinho que sobreviveu às custas da dedicação de homens como o falecido condutor Nelson, se tornará tal qual o trenzinho do Corcovado: um atração exclusivamente turística e cara! Quanto aos condutores, os velhos condutores que defenderam e mantiveram ativo o bondinho, serão sumariamente dispensados, esquecidos, humilhados e difamados como maus profissionais.
É assim que a história acontece no Rio de Janeiro e, por que não dizer, no Brasil.
"Se o bonde parar ele sai dos trilhos da História".
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
João Gilberto: lar doce, lar
Ora veja: o mais brilhante dos músicos brasileiros, citado por Gilberto Gil como um de suas influências musicais fundamentais (juntamente com Caetano, é claro) está sendo despejado de sua casa, por esta ter sido alugada de uma condessa, esta não deseja mais ter o ilustre inquilino em seus domínios. Resultado: João Gilberto terá de deixar seu lar.
Claro, qualquer pessoa de bom senso diria: ora por que eles não fazem um acordo e o cantor adquire definitivamente o imóvel, afinal dinheiro não lhe falta com o sucesso que suas músicas vem fazendo mundo afora? Ou ainda: por que ele simplesmente não muda de apartamento e ponto?
A imprensa tentou lhe fazer estas perguntas, mas o cantor recolheu-se de forma que a publicidade de seu problema não terá sua participação espontânea, cabendo a Justiça, tratar do assunto segundo os meios que possui.
O fato é que uma juíza já despachou a favor da locadora do imóvel, que mora na Itália e vem esporadicamente ao Brasil.
Quem tem casa e se afeiçoa a seu lar, deve estar mais sensível ao lado do artista que em tanto tempo só queria ter um cantinho aconchegante no Leblon e ponto! Disso podemos supor pelo fato de ele pagar 8 mil reais mensais pelo dito imóvel para ficar contemplando a vista ou apenas se sentir seguro e tranquilo ao lado das paisagens das novelas do Manoel Carlos.
Porém, longe de qualquer preocupação como aquela que estão vivendo aqueles que perderam suas casas na devastadora ação da natureza que alterou a geografia serrana, nosso artista não está simplesmente perdendo um lar por "risco de desabamento" ou devido a transtornos naturais que afetem seu bem-estar ou sua vida. Nada disso! A condessa só quer seu apartamento de volta e ponto! O que ela vai fazer dele, não interessa ao compositor. Talvez ele sinta-se como aqueles despejados da prefeitura, que só querem morar em um lugar no Centro ou próximo a áreas valorizadas e, portanto, ocupam prédios abandonados, transformando-os em moradia;
Mas João Gilberto pagava aluguel, impostos (pelo menos o IPTU), o imóvel era regularizado, não tinha "gato" a ao que parece, ele não dava festas de arromba com sua bossa-nova de forma a incomodar a vizinhaça e desvalorizar o meio-ambiente do condomínio.
Afinal, por que então a condessa (e eu nem sabia que isso ainda existia no Brasil) que vive na Itália, faz nosso compositor maior passar por tamanha humilhação? Ela não faz jus a boa tradição aristocrática italiana famosa por seus mecenas: por que não doar o imóvel ao artista como premiação ao mérito de sua obra e de sua contribuição a Arte mundial; ao invés de expô-lo ao ridículo nos folhetins diários?
A despeito dessa "fogueira das vaidades" penso na situação nos moradores da região serrana despejados de suas casas em nome de sua segurança, os sem-teto despejados de suas ocupações em nome da ordem pública, dos moradores de comunidades ainda comadadas pelo tráfico expulsas de sua casa em nome da vontade do traficante, dos moradores pobres de regiões ribeirinhas expulsas de suas casas em nome do progresso, dos quilombolas expulsos de seus assentamentos em nome da lei, dos índios expulsos de suas reservas em nome do Mercado, dos sem-terra expulsos de seus assentamentos em nome da proteção ao direito da propriedade privada,... e por aí vai.
Acho que João Gilberto, não vai conseguir dormir com um barulho desses...
Veja a notícia em: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/02/condessa-entra-com-processo-para-despejar-cantor-joao-gilberto-no-rio.html
Claro, qualquer pessoa de bom senso diria: ora por que eles não fazem um acordo e o cantor adquire definitivamente o imóvel, afinal dinheiro não lhe falta com o sucesso que suas músicas vem fazendo mundo afora? Ou ainda: por que ele simplesmente não muda de apartamento e ponto?
A imprensa tentou lhe fazer estas perguntas, mas o cantor recolheu-se de forma que a publicidade de seu problema não terá sua participação espontânea, cabendo a Justiça, tratar do assunto segundo os meios que possui.
O fato é que uma juíza já despachou a favor da locadora do imóvel, que mora na Itália e vem esporadicamente ao Brasil.
Quem tem casa e se afeiçoa a seu lar, deve estar mais sensível ao lado do artista que em tanto tempo só queria ter um cantinho aconchegante no Leblon e ponto! Disso podemos supor pelo fato de ele pagar 8 mil reais mensais pelo dito imóvel para ficar contemplando a vista ou apenas se sentir seguro e tranquilo ao lado das paisagens das novelas do Manoel Carlos.
Porém, longe de qualquer preocupação como aquela que estão vivendo aqueles que perderam suas casas na devastadora ação da natureza que alterou a geografia serrana, nosso artista não está simplesmente perdendo um lar por "risco de desabamento" ou devido a transtornos naturais que afetem seu bem-estar ou sua vida. Nada disso! A condessa só quer seu apartamento de volta e ponto! O que ela vai fazer dele, não interessa ao compositor. Talvez ele sinta-se como aqueles despejados da prefeitura, que só querem morar em um lugar no Centro ou próximo a áreas valorizadas e, portanto, ocupam prédios abandonados, transformando-os em moradia;
Mas João Gilberto pagava aluguel, impostos (pelo menos o IPTU), o imóvel era regularizado, não tinha "gato" a ao que parece, ele não dava festas de arromba com sua bossa-nova de forma a incomodar a vizinhaça e desvalorizar o meio-ambiente do condomínio.
Afinal, por que então a condessa (e eu nem sabia que isso ainda existia no Brasil) que vive na Itália, faz nosso compositor maior passar por tamanha humilhação? Ela não faz jus a boa tradição aristocrática italiana famosa por seus mecenas: por que não doar o imóvel ao artista como premiação ao mérito de sua obra e de sua contribuição a Arte mundial; ao invés de expô-lo ao ridículo nos folhetins diários?
A despeito dessa "fogueira das vaidades" penso na situação nos moradores da região serrana despejados de suas casas em nome de sua segurança, os sem-teto despejados de suas ocupações em nome da ordem pública, dos moradores de comunidades ainda comadadas pelo tráfico expulsas de sua casa em nome da vontade do traficante, dos moradores pobres de regiões ribeirinhas expulsas de suas casas em nome do progresso, dos quilombolas expulsos de seus assentamentos em nome da lei, dos índios expulsos de suas reservas em nome do Mercado, dos sem-terra expulsos de seus assentamentos em nome da proteção ao direito da propriedade privada,... e por aí vai.
Acho que João Gilberto, não vai conseguir dormir com um barulho desses...
Veja a notícia em: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/02/condessa-entra-com-processo-para-despejar-cantor-joao-gilberto-no-rio.html
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
O barulho que emudeceu o plenário
Lembro de Cidinha Campos do tempo de seu programa no rádio onde discutia política entre seus desmandos e formas de resistência ao fantasma da pós-ditadura que assombrava a recém reeditada democracia.
No programa de rádio, contava casos de pessoas que sofriam com o descaso, comentava notícias importantes, sua voz - incomparável - era ouvida por milhares de pessoas todos os dias pelas ondas da Tupi AM. Aquela mulher que trabalhou para a Record cobrindo o Festival da Música Popular Brasileira (vide "Uma Noite em 67") sempre foi conhecida por seu ativismo político e sua coragem. Atém hoje me lembro com clareza quando fazendo suas denúncias de praxe contra a corrupção lasciva que já corroía a política tanto carioca quanto brasileira, comentou tristemente que sofria sérias perseguições que incluíram a morte de sua cadelinha de estimação como forma de aviso: se continuasse a falar, sua família estaria a perigo.
Foi vereadora e deputada estadual pelo PDT, e até hoje é uma ativista política do Estado do Rio de Janeiro. Teve idas e vindas na atividade política oficial, posto que era demais para seus nervos o que presenciava tanto na Assembléia quanto na Câmara. O Rio de Janeiro é sua paixão e a ética, a justiça e a moralidade política são suas bandeiras, desde a primeira candidatura.
Um vídeo postado pelos internautas das redes sociais mostra a lucidez e a força que esta mulher ainda tem, a sua capacidade de indignação profunda diante do cinismo de nossos políticos que a única coisa que parecem fazer é rir de nós e da ingenuidade matuta de quem dá seu voto para que eles façam da Câmara e da Assembléia um verdadeiro covil onde se negociam descaradamente repasses improbos do dinheiro público.
A força com que esbraveja contra a candidatura de um político improbo ao Tribunal de Contas do Estado. No início de seu discurso, o sarcasmo da plenária no primeiro momento mostra o cinismo com que é tratada a coisa pública em nosso querido Estado do Rio de Janeiro. Logo o sorriso sarcástico e indolente da plenária se transforma em consternação e constrangimento, pois se sabe bem do que se trata o discurso da deputada indignada.
Esbraveja, esbraveja com toda a força que a indignação e o inconformismo profundo com o que se passa a olhos vistos é capaz de produzir num coração apaixonado pela cidade e pelo seu povo. Seu discurso é estremecedor e estarrecedor por toda a verdade que encerra: uma verdade que é estampada todos os dias nos jornais e revistas em cores, mas que parece não desenvolver a mesma força, seja no populacho, seja na classe intelectual capaz de intervir na classe política.
Os políticos cariocas e fluminenses roubam! - é a sintese de uma parte de seu discurso. Roubam e não se envergonham e ainda por cima contam com o apoio de seus pares que parecem apoiar tais atitudes. Mas Cidinha Campos faz barulho, faz um barulho estremecedor! Capaz de abalar quem quer que esteja escutando.
Cidinha é um barulhenta, uma corajosa barulhenta, uma mulher sem comparação que merece todo o nosso apoio e o nosso barulho.
Parabéns Cidinha Campos!
E a quem lê: quero ver dormir com um barulho desses!
No programa de rádio, contava casos de pessoas que sofriam com o descaso, comentava notícias importantes, sua voz - incomparável - era ouvida por milhares de pessoas todos os dias pelas ondas da Tupi AM. Aquela mulher que trabalhou para a Record cobrindo o Festival da Música Popular Brasileira (vide "Uma Noite em 67") sempre foi conhecida por seu ativismo político e sua coragem. Atém hoje me lembro com clareza quando fazendo suas denúncias de praxe contra a corrupção lasciva que já corroía a política tanto carioca quanto brasileira, comentou tristemente que sofria sérias perseguições que incluíram a morte de sua cadelinha de estimação como forma de aviso: se continuasse a falar, sua família estaria a perigo.
Foi vereadora e deputada estadual pelo PDT, e até hoje é uma ativista política do Estado do Rio de Janeiro. Teve idas e vindas na atividade política oficial, posto que era demais para seus nervos o que presenciava tanto na Assembléia quanto na Câmara. O Rio de Janeiro é sua paixão e a ética, a justiça e a moralidade política são suas bandeiras, desde a primeira candidatura.
Um vídeo postado pelos internautas das redes sociais mostra a lucidez e a força que esta mulher ainda tem, a sua capacidade de indignação profunda diante do cinismo de nossos políticos que a única coisa que parecem fazer é rir de nós e da ingenuidade matuta de quem dá seu voto para que eles façam da Câmara e da Assembléia um verdadeiro covil onde se negociam descaradamente repasses improbos do dinheiro público.
A força com que esbraveja contra a candidatura de um político improbo ao Tribunal de Contas do Estado. No início de seu discurso, o sarcasmo da plenária no primeiro momento mostra o cinismo com que é tratada a coisa pública em nosso querido Estado do Rio de Janeiro. Logo o sorriso sarcástico e indolente da plenária se transforma em consternação e constrangimento, pois se sabe bem do que se trata o discurso da deputada indignada.
Esbraveja, esbraveja com toda a força que a indignação e o inconformismo profundo com o que se passa a olhos vistos é capaz de produzir num coração apaixonado pela cidade e pelo seu povo. Seu discurso é estremecedor e estarrecedor por toda a verdade que encerra: uma verdade que é estampada todos os dias nos jornais e revistas em cores, mas que parece não desenvolver a mesma força, seja no populacho, seja na classe intelectual capaz de intervir na classe política.
Os políticos cariocas e fluminenses roubam! - é a sintese de uma parte de seu discurso. Roubam e não se envergonham e ainda por cima contam com o apoio de seus pares que parecem apoiar tais atitudes. Mas Cidinha Campos faz barulho, faz um barulho estremecedor! Capaz de abalar quem quer que esteja escutando.
Cidinha é um barulhenta, uma corajosa barulhenta, uma mulher sem comparação que merece todo o nosso apoio e o nosso barulho.
Parabéns Cidinha Campos!
E a quem lê: quero ver dormir com um barulho desses!
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Apertem os cintos: o dinheiro sumiu!
Pois é, depois da Segunda Guerra Mundial o mundo civilizado passou por várias recessões, altos e baixos, planos de metas de crescimento e expansão de capitais e mercados; nos anos de 1990 quando isso se tornou realidade ganhou o nome de "Globalização". Legal né, um sujeito de uma tribo senegaleza ou um camponês do interior da China poder comprar Coca-cola e um hambúrguer do McDonald.
Pois então, antigamente existiam os tais países subdesenvolvidos e valia tudo para "acabar" o subdesenvolvimento - instalavam-se ditaduras, criavam-se grandes grupos internacionais de fomento aos necessitados, surgiam guerras/guerrilhas, apareciam fundações internacionais e milionários dispostos a doarem polpudas cifras para os famintos do chamado 3o Mundo.
Então a gente tinha aquela vidinha: pobres e ricos, classe dominante e proletários, 1o Mundo e 3o Mundo (sempre quis saber quem era o 2o Mundo...), haviam os socialistas e os capitalistas. Hoje não! É uma baderna: tem ditadura democrática, todos dos países pobres são emergentes, os países ricos não são tão mais ricos assim e a Europa agora é um bloco econômico em que só fica quem tem dinheiro, quem não tem,... fora! Acabaram os socialistas e os comunistas, agora o problema são os mulçumanos contra o "Mundo Livre" (na Idade Média seria no mínimo mulçumanos/mouros vs cristãos..., mas deixa para lá faz muitooo tempo).
Os capitalistas continuam capitalistas (eu acho) só que resolveram adotar algumas coisas dos antigos estados socialistas como: ajuda estatal a bancos e empreendimentos, controle dos meios de comunicação e produção da cultura; por outro lado passam a tesoura nos benefícios "públicos" como: aposentadorias, salários de servidores, salário de trabalhadores, fazem longas listas de "malefícios" à Economia com projetos ou planos governamentais que distribuam riquezas ou como preferem dizer: "inibam a iniciativa privada gerando dependência das camadas populares por meio de políticas assistencialistas".
Então, o dinheiro acabou. Apesar de tudo o que produzimos no mundo, a Economia não anda nada "econômica". Os gregos dizam que "economia" era a competência com que tratávamos de nossa "casa" dispondo os meios da melhor e mais harmônica forma possível. Produzimos muito (vide os números do lixômetro das praias cariocas ou os índices do Greenpeace), mas dinheiro, bufunfa, grana, não tem mais. E ninguém sabe explicar aonde foi parar os multitrilhões que os povos do planeta produziram no último século desde o surgimento do tal "Capitalismo".
Mas acho que o que está tirando o sono e a paciência das pessoas nas ruas não é a falta do dinheiro apenas, é a falta de um outro monte de coisas que resultou na falta de dinheiro ou da não-distribuição dele de forma que todo mundo pudesse ter uma casa, comida na mesa e coisas para passar o tempo, pois comer e arrumar a casa todo o dia ninguém aguenta, (pergunte a qualquer dona de casa)!
O dinheiro sumiu ou na verdade já adquirimos tudo o que podíamos adquirir com dinheiro e esquecemos daquelas coisas que, como diz o comercial do Mastecard "não tem preço".
Moral, ética, liberdade, disciplina, solidariedade, amor, fraternidade, compreensão, tolerância, objetivos; estas coisas não se adquirem com dinheiro. Não me perguntem como se adquire pois isso também é complicado explicar. Dinheiro você consegue trabalhando, tomando emprestado ou até roubando, mas gratidão e solidariedade só se consegue de boa vontade.
A barulheira do mundo agora não é por dinheiro, apenas, é por um mundo diferente. Apertar os cintos é o menor dos problemas.
E durma-se com um barulho desses.
Pois então, antigamente existiam os tais países subdesenvolvidos e valia tudo para "acabar" o subdesenvolvimento - instalavam-se ditaduras, criavam-se grandes grupos internacionais de fomento aos necessitados, surgiam guerras/guerrilhas, apareciam fundações internacionais e milionários dispostos a doarem polpudas cifras para os famintos do chamado 3o Mundo.
Então a gente tinha aquela vidinha: pobres e ricos, classe dominante e proletários, 1o Mundo e 3o Mundo (sempre quis saber quem era o 2o Mundo...), haviam os socialistas e os capitalistas. Hoje não! É uma baderna: tem ditadura democrática, todos dos países pobres são emergentes, os países ricos não são tão mais ricos assim e a Europa agora é um bloco econômico em que só fica quem tem dinheiro, quem não tem,... fora! Acabaram os socialistas e os comunistas, agora o problema são os mulçumanos contra o "Mundo Livre" (na Idade Média seria no mínimo mulçumanos/mouros vs cristãos..., mas deixa para lá faz muitooo tempo).
Os capitalistas continuam capitalistas (eu acho) só que resolveram adotar algumas coisas dos antigos estados socialistas como: ajuda estatal a bancos e empreendimentos, controle dos meios de comunicação e produção da cultura; por outro lado passam a tesoura nos benefícios "públicos" como: aposentadorias, salários de servidores, salário de trabalhadores, fazem longas listas de "malefícios" à Economia com projetos ou planos governamentais que distribuam riquezas ou como preferem dizer: "inibam a iniciativa privada gerando dependência das camadas populares por meio de políticas assistencialistas".
Então, o dinheiro acabou. Apesar de tudo o que produzimos no mundo, a Economia não anda nada "econômica". Os gregos dizam que "economia" era a competência com que tratávamos de nossa "casa" dispondo os meios da melhor e mais harmônica forma possível. Produzimos muito (vide os números do lixômetro das praias cariocas ou os índices do Greenpeace), mas dinheiro, bufunfa, grana, não tem mais. E ninguém sabe explicar aonde foi parar os multitrilhões que os povos do planeta produziram no último século desde o surgimento do tal "Capitalismo".
Mas acho que o que está tirando o sono e a paciência das pessoas nas ruas não é a falta do dinheiro apenas, é a falta de um outro monte de coisas que resultou na falta de dinheiro ou da não-distribuição dele de forma que todo mundo pudesse ter uma casa, comida na mesa e coisas para passar o tempo, pois comer e arrumar a casa todo o dia ninguém aguenta, (pergunte a qualquer dona de casa)!
O dinheiro sumiu ou na verdade já adquirimos tudo o que podíamos adquirir com dinheiro e esquecemos daquelas coisas que, como diz o comercial do Mastecard "não tem preço".
Moral, ética, liberdade, disciplina, solidariedade, amor, fraternidade, compreensão, tolerância, objetivos; estas coisas não se adquirem com dinheiro. Não me perguntem como se adquire pois isso também é complicado explicar. Dinheiro você consegue trabalhando, tomando emprestado ou até roubando, mas gratidão e solidariedade só se consegue de boa vontade.
A barulheira do mundo agora não é por dinheiro, apenas, é por um mundo diferente. Apertar os cintos é o menor dos problemas.
E durma-se com um barulho desses.
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