Barulhos da semana

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Transporte público não é brinquedo! - parte 2 - Mobilidade e serviços rodoviários

ônibus no Rio de Janeiro

O link acima leva para um vídeozinho do Youtube sobre a questão dos ônibus no Rio de Janeiro.

Mobilidade é uma nova palavrinha adotada pela Fetranspor e está impressa nos panfletos sobre a "nova" organização de corredores exclusivos de ônibus na Orla da Zona Sul (sic!) conhecidas como BR1, BR2 e BR3.

A despeito de qualquer política pública há uma discrepância inconcebível entre o serviço de transporte público na Zona Sul da Cidade e nas demais áreas, onde a população realmente PRECISA andar de ônibus, Metrô ou trem. Corredores de ônibus deveriam obedecer a um plano diretor que atendesse a toda a Cidade do Rio de Janeiro dentro de uma lógica de Mobilidade dentro do Estado do Rio de Janeiro! Isto inclui o acesso à região Metropolitana, Grande Rio, Região Serrana, Niterói e São Gonçalo.

Começando pelos preços das tarifas praticadas nos percusos entre o Centro e a Zona Sul e os praticados entre a Zona Norte e o Centro: a antiga padronização que existia no Governo César Maia desapareceu.

Outro problema é condição das viaturas que fazem o transporte, principalmente nas zonas Norte e Oeste: muitas são desconfortáveis , emitem muita poluição (sonora e de gases), os condutores são na maioria irritadiços (sobre as condições de trabalho dos condutores de ônibus vou dedicar um artigo completo, pois a situação deles merece atenção redobrada), pouco conforto (para se tomar um ônibus com serviço de ar-condicionado, amortecimento e poltronas mais confortáveis se paga até 50% a mais sobre a tarifa básica).

A quantidade de veículos particulares nas ruas é agravada com o problema do acesso das ruas: as vias cariocas tendem ao "afunilamento", começam com até 4 pistas que podem ser reduzidas a uma única rua no final da via. Isso estrangula o trânsito e traz o caos que conhecemos por "engarrafamento" nos horários de pico ou quando há algum acidente de trânsito, que não precisa ser grave para dar um "nó" nas ruas e na paciência tanto dos motoristas particulares quanto dos motoristas de ônibus, que pela atividade são obrigados a fazerem o mesmo percurso muitas vezes ao dia tentando cumprir um cronograma de viagem que fica inviabilizado com a rotina de retenções, o que abre precedentes para excesso de velocidade e imprudência no trânsito.

As vans que muito antes de serem uma "alternativa" ao transporte público, foram uma "alternativa" à exploração das linhas monopolizadas por uma rede conhecida por RioOnibus. Atentos às necessidades do público e experimentados pelos anos como condutores de linhas de ônibus ex-motoristas de ônibus (na sua maioria) iniciaram serviços de transporte público mais eficientes e, até certo ponto, mais confortáveis que os ônibus caindo na preferência dos usuários que querem mais rapidez e um mínimo de conforto nos trajetos entre a casa e o trabalho/estudo.

É impressionante a falta de articulação ou planejamento da Secretaria de Transportes que há anos, e tenho que ser justa nisso, mesmo antes do atual governo teve atuações pífias! A Secretaria de Transportes desde de que a antiga CTC foi privatizada virou um palco para negociatas sobre monopólios e políticas (se assim pode se chamar) insanas de tarifação e organização dos serviços de transporte público.

Para se corrigir o problema até a Copa (ou pelo menos começar) é necessário um plano diretor global (e não pontual como vem sendo feito) e uma força tarefa que se preocupe com os seguintes pontos:

1. Revitalização e integração dos principais terminais rodoviários da cidade e criação de novos "nós" viários que possam convergir diversos tipos de meios de transporte (ônibus, Metrô e trem). Para saber mais, podem ver algumas sugestões que fiz no texto anterior desta série sobre Transporte Público;

2. Replanejamento das vias de acesso e estudo de alargamento de pistas. Instalação de corredores viários para os ônibus e toda a cidade;

3. Remodelação dos trajetos viários tendo em vista a necessidade dos usuários e a frequência de usos de acordo com os horários de pico fazendo redes de integração viária entre ônibus quando necessário.

4. Redistribuição dos serviços de transporte e dos tipos de viatura de acordo com a necessidade de cada bairro (largura da rua, quantidade de moradores, necessidade de acesso a serviços ou trabalho);

5. abertura de tuneis, vias e instalação de acessos integrados (como a ampliação do serviço de Metrô);

6. Reativação das redes estaduais de trem que faziam o transporte para a Região dos Lagos, Região Serrana, Costa Verde e CentroOeste fluminense.

Pensem nisso...

Continuo minha coluna na semana que vem.